Dormir na cama dos pais

Uma criança que insistentemente pede para ir para a cama dos pais mostra que tem já aprendido esse comportamento.


Apesar do choro e das súplicas, não é assim tão dramático que a criança viva a separação noturna dos pais como separação – este é um sentimento inevitável no desenvolvimento infantil e necessário para outros desafios que a criança enfrentará no seu crescimento.


Sugere-se que a criança seja ajudada neste percurso, consolando-a quando chora durante a noite, porque teve um pesadelo, porque se sente sozinha ou tem medo, mas sem a levar para a cama dos pais. Caso contrário, isso passará a ser uma espécie de solução para todos os tipos de medos da criança.


Uma criança que tem medo durante a noite e que, por isso, é levada regularmente para a cama dos pais não elabora estratégias para lidar com esses medos sozinha, ficando sempre vulnerável. Noite após noite continuará a ter medo, chamará a mãe e não aprenderá as suas próprias formas de lidar com o medo (por exemplo, esconder a cabeça debaixo dos cobertores, cantar uma canção baixinho, escutar uma música).


Se a criança se convence de que há monstros debaixo da sua cama ou fantasmas dentro do roupeiro, e se perante isso os pais a levam regularmente para fora do quarto, mesmo que neguem, verbalmente, a existência de monstros, o que acontece é que com as ações estão a transmitir à criança que é melhor estar longe dali.


Habituar uma criança a enfrentar os seus medos e a encontrar dentro de si os recursos para fazer frente às dificuldades constitui uma missão importante dos pais.


Susana Silva

Psicóloga da Clínica Samaúma - Saúde Mais Humana

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